O LOBO DE WALL STREET

Scorsese é um dos grandes diretores norte-americanos, vamos já começar assim o texto. Não só diretor, produtor também. Não bastasse tudo isto, ele também pensa o cinema como História, tem um bom livro sobre cinema norte-americano, material escrito sobre uma série de documentários produzidos para a BBC em 1995 ( Uma História Pessoal pelo Cinema Norte Americano) e é o diretor e fundador da World Cinema Foundation, fundação criada para, como o nome diz, preservação do cinema mundial.

Eu sou suspeita ao falar dele: Taxi Driver, Touro Indomável, A Ultima Tentação de Cristo, Cabo do Medo, Os Bons Companheiros, Cassino, Hugo Cabret são longas absolutamente excepcionais, a grande maioria está na minha lista de melhores filmes da vida. Sem contar os documentários sobre musica: blues, Dylan e Stones foram objetos de sua lente.

Pois bem! Por tudo dito nos dois parágrafos anteriores é que quero chorar com sua filmografia desde os anos 2000 ( tirando Hugo Cabret e os documentários). Querendo ou não para a indústria cinematográfica, o Oscar conta; conta na hora do teu próximo orçamento, conta na bilheteria, it´s business! E talvez também para a auto estima, uma vez que voce é norte americano. Dá para entender como nenhum dos filmes colocados aì em cima ganharam o Oscar de melhor filme ou direção? E parece que Martin entrou o século mirando a Academia e finalmente ganhou com  O Infiltrado, um remake de um filme chinês. Curiosamente o que menos tem cara de blockbuster entre todos seus longas ficção dos ultimos 14 anos, e entre todos os que mencionei a cima, o mais fraco, de longe!

O Lobo de Wall Street pode nem ser um filme que mirasse tanto à estatueta dourada, devido a ser tão politicamente incorreto (misógeno, cheio de drogas e com mais cenas de sexo grupal do que Nymphomaniac) mas tem sua estética blockbuster: planos, edição, narrativa. Não é um filme de todo ruim, o roteiro em primeira pessoa contando as aventuras do investidor trambiqueiro, ególatra e imoral para virar um milhonário é divertido, mas é tão chapado, tão sem nuances, que fica difícil. Os personagens podem ser histrionicos, os atores não, porque aí se torna insuportável, fica dificil acompanhar quase 3h de filme com um personagem principal que deveria ser sedutor (ganhando todo mundo na lábia, na venda) e claro ao mesmo tempo um maluco, mas que é apenas o desequilibrado. Queria entender porque Scorsese insiste em Leonardo Di Caprio, ok neste caso, o ator é o produtor executivo, ele trouxe o diretor para o projeto, mas por que 5 filmes com ele nos ultimos anos? O bonitinho era uma promessa quando ser um ator tomado e exagerado fazia sentido quando adolescente,mas crescido, ele é sempre over, sem sutileza alguma, não é capaz de obter várias camadas do personagem, é sempre muito, sempre um,dois tons à cima e como seus personagens são transloucados pode parecer num primeiro momento bom, só que 10min depois só se torna maçante e o roteiro se perde em caretas, em berros, em olhos esbugalhados. Acontece isto em O Lobo de Wall Street, potencializado por mil,porque o personagem pede uma canastrice e algo fora da casinha, Di Caprio acha então que precisa ir além do que geralmente já faz, o resultado é um desastre. Fico imaginando se fosse Daniel Day Lewis, Christian Bale, atores que criam muito bem tipos, interpretando o executivo, consigo ver sutilezas, humanidade e o roteiro fluiria melhor.

Espero ve-lo daqui dois anos num novo Oscar, desta vez com algo à sua altura.

 

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