MALÉVOLA

Em 210 a Disney lançou a versão live action de Alice no País das Maravilhas ( resenhei para revista do NEAMP-PUC com o título de Alice no País da Tecnologia) Um dos primeiros filmes 3D pós Avatar e com estética gamer, o longa como cinema é um desastre, entretanto como produto transmídia foi um sucesso com um número infindável de produtos licenciados e games, lógico ( tanto que a sequencia ao que tudo indica se encontra em fase de pré produção).
Após o filme de Tim Burton ( sim, a direção é dele) vieram vários longas baseados em contos de fada live action com um viés claramente ligado aos filmes de ação e aventura, tentando pegar o maior público consumidor de áudio visual: o adolescente. Embora muitos tenham vindo pós Alice, Malévola é o único deles com um potencial comercial tão forte quanto, em parte pela história ( os desenhos da Disney são grande porta de entrada para contos de fada/ histórias infantis e Alice quanto A Bela Adormecida são clássicos, enquanto os outros são contos populares mas não tão midiáticos, fora A Branca de Neve, transformada numa comédia sofrível com Julia Roberts) e em parte pela protagonista: Angelina Jolie, pela qualidade de super celebridade. Desde o início das filmagens 2 anos atrás criou-se todo um plano de mídia bem estruturado lançando algumas imagens das filmagens e depois inundando a internet com teasers. Pronto, meses antes da estréia já havia toda uma expectativa e muitos produtos já prontos para serem lançados.
E Malévola atende a todo o burburinho em torno de seu lançamento?
Depende. Se você viu os outros longas desta fase da Disney ou de outras majors saberá que não se deve esperar muito: Eles não primam por um roteiro bem elaborado. Entretanto, todos transformam radicalmente as histórias que aprendemos desde crianças ( atenção! Muitas vezes estas já são remixes das histórias populares medievais). E é neste quesito que Malévola se sobressai aos demais.
Nesta nova versão ao invés de Malévola ser o mal em pessoa como no desenho de 1959, ela era uma fada boa e poderosa até ser traída pelos homens e se tornar ruim. Este será o ponto chave e mais interessante do roteiro. Toda a história de desenrolará entre Malévola e Aurora, entre a transformação desta fada e sua ligação com a garota. A parte boa do roteiro acaba por aí porque ele quer abarcar o mundo e não dá conta de nada, não aprofunda, esquece personagens no meio do caminho, vários por quês ficam sem resposta. A solução encontrada para não ficar uma colagem de cenas foi trazer o narrador,comum em todos contos de fada, para dar um fio condutor. Pela complexidade pretendida: a corrupção de um garoto bom em um homem ganancioso, a transformação de uma fada pura em um ser amargo e até um desenho com contornos mais fortes da relação que se estabelece entre as duas protagonistas, seria preciso uns dois filmes ( com tantas trilogias e busca por origens de personagens não teria sido uma má idéia).
Justiça seja feita: o longa é fantástico pela direção de arte muito bonita e por ótimos efeitos visuais. Não poderia ser diferente, o diretor Robert Stromberg é um dos grandes nomes nesta área. E Angelina Jolie está muito bem como Malévola, uma personagem que demanda uma frieza e algo mais blasé em sua construção. A atriz vem conseguindo deixar a canastrice de lado, caras e bocas para criar tipos mais contidos ( se ela será capaz de um dia ter atuações brilhantes como em Gia e Garota Interrompida novamente, é uma outra questão).
No fim Malévola perto destes novos filmes da Disney ainda é o melhor. Dá para se divertir comendo pipoca se você não esperar muito ou se quiser se distrair com a beleza estonteante da fada nem tão ruim assim.